Meus sonhos verdes

Arrisco-me a escrever aqui tudo que penso,sinto,creio e quero.

Tudo que sou eu.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

...

Tempo difícil esse que chegou.
Vazio, estranho, alojado.
Inflamado e sem prazo de validade.
Como todos nós, perecendo.
Apertado, como todos os nós.

Marcos Felipe

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Eu não quero ser domingo

Legal mesmo é ver o tempo passando
As máscaras caindo
O baile acabando.
Tudo se perdendo.
Falta cor, falta verdade
O que não falta, é vaidade.

Legal mesmo é ver sorrisos postiços por todos os lados
Serpentinas espalhadas no salão.
Aquela festa toda, cheia de felicidades de verão.

A música parou.
O confete, desanimou.
As luzes não encantam mais.
Rostos cansados começam a se espalhar por todas as partes.
Semblantes desolados.
As mesmas pessoas, cheias de problemas e rotinas banais.
Todos na mesma nota, em tons de domingo.
Já nem sei se é mesmo tão legal assim toda essa festa.

Marcos Felipe



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Devaneio lúdico de um cata-vento


Frio na barriga.
Estranha sensação que me dá quando sinto que o mundo está prestes a girar.
Pra todo o mundo, o mundo gira, dá voltas.
Mas quando é comigo, meu amigo.. 
Fico tonto, perco o ar.
Me some o chão.
Encontro alguns minutos depois, e lembro que é chegada a hora de soltar.
Saltar.
Aperto no peito.
Dois dedos de cachaça pra esquentar.
Dois terços além da conta.
Acho que vou ter de pendurar.
Pendurar sapatos pelo asfalto.
Perdurar sorrisos lá do alto.
Lá, de onde eu não consigo voltar.
Ainda nem fui, na verdade.

Não foi.
Continua aqui, à me acompanhar.
Sabe que é bem vinda.
Talvez por isso, insiste tanto em me alugar.
Pois aqui, sempre estará em casa.
Já nem me preocupo mais em fazer sala.
Chega sempre do mesmo jeito
Fulminante, algoz.
Serena de vez em quando.
Chega e fica.
Até o sol sair pra trabalhar.
E então os sinos param de soar
O barulho do mundo, que outrora era de se admirar, começa a chacoalhar notas dissonantes por todo o meu corpo.
Mais dois dedos.
Dessa vez, um de café e outro pro coletivo que acabou de apontar lá na dobra da avenida.
Foi embora, assim despercebida.
Foi sem despedida.
Foi, mas logo bate aqui na porta.

Até que enfim, cheguei no meu lugar.
Dois dedos de alguma coisa pro estômago não reclamar.
Suspiros, olhos cansados, fixos no teto sujo de tinta azul.
Despertador atento.
Nada mais além do silêncio.
Somente eu e meu corpo exausto prestes a se desligar.

Marcos Felipe. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Utopia social


O tempo passa e não apaga as coisas que você fez
Não muda quem você foi.
Hoje conheço tantas pessoas que cultivam um moralismo ridículo e desnecessário
Se esquecendo de quem elas já foram.. 
Gente pequena, com tão pouco a oferecer..
Adornam uma reputação mentirosa e cínica
Fingindo um ser pra todo mundo
Fingindo ser.


Marcos Felipe

quarta-feira, 3 de abril de 2013



Penso que seria divertido mudar a cor das paredes do meu quarto.
Talvez trocar alguma história de lugar.
Sabe, cansei dessas paredes azuis.
Sempre com o mesmo tom, de nada acontece.
Pensei em rabiscar algumas coisas
Recortar, colar.
Pendurar alguns sorrisos.
Pois bem, chegou a hora.
Chegou na hora.


Marcos Felipe

domingo, 31 de março de 2013

Bomba relógio

Meu amigo, você não pode sair passando por cima das outras pessoas do jeito que está fazendo..
Quem é você ? 
Até ontem, tinha um nome, um "respeito" que ganhou por conta de outros nomes e credibilidade, que foi concebida à você não por quem você acha ser
mas por quem lhe dava suporte.

Meu amigo.. 
Preste atenção nas escolhas que você faz
Ultimamente, sua petulância é tão grande quanto a burrice que sempre teve.
Tome cuidado, essa bomba relógio está prestes a perecer.

Olhe pros lados, se preocupe em ver a sua volta.
Quem está com você ? 
E quantos deles podem fazer você crescer? 

Ninguém, meu amigo, vai te ajudar a se erguer.

Lembre-se disso antes de fazer por merecer esse seu destino
Torto, sujo e doentio.

Abrace as suas escolhas, meu amigo
Cuide do que você nunca teve
Do que você nunca foi
Cuide do que você não tem enquanto ainda pode.

Tentei te avisar antes sobre tudo isso
Eu juro que tentei.
Mas o meu erro, meu amigo, foi querer te proteger.

Te livrar do fracasso que é você.


Marcos Felipe



sexta-feira, 1 de março de 2013

Ouro de tolo


Futilidades amarradas na superfície do que não tem por dentro.
Isso é tudo que consegue ser.
Abriu os olhos mas continuou sem entender.
Procurou exílio em verbos que não aprendeu a conjugar
No reflexo que esqueceu de plantar
No espelho que saiu pra viver.
Na imagem que nunca existiu.
E agora ?
Quem é você ?

Marcos Felipe