Meus sonhos verdes

Arrisco-me a escrever aqui tudo que penso,sinto,creio e quero.

Tudo que sou eu.

domingo, 3 de novembro de 2013

Sobre algumas horas mortas


Sete e cinquenta e três.
O silêncio da madrugada que já fora amigo, se foi.
O mundo volta à sua rotina.
Domingo, tudo parece estar em seu devido lugar.
Mais um dia como outro qualquer.
Bom dia camarada!
Bom te ver!
Por onde esteve ?
Ontem pensei que fosse hoje.
E hoje, quando será ?
Não sei.
Talvez nem deva saber.
Tanto faz.
Certeza tenho de que andaste por onde deveria estar.
E sei que vai continuar a ser assim.
Não se prende luz em caixa parda.
Não se prende sol em chuva branda.
Deixa brilhar.
Deixe entrar.
Abra a janela, tome um café e sente-se.
Sinta-se.
Sabemos que o tempo haverá de passar
Levará de nós tudo que ainda não temos
Então deixe ofuscar o que não cabe aos olhos.
Sinta queimar.




Marcos Felipe

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sobrecarga

Sobre a carga, sóbrio.
Sóbria carga, subo.
Sobe a carga, revigora.

Marcos Felipe

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

...

Tempo difícil esse que chegou.
Vazio, estranho, alojado.
Inflamado e sem prazo de validade.
Como todos nós, perecendo.
Apertado, como todos os nós.

Marcos Felipe

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Eu não quero ser domingo

Legal mesmo é ver o tempo passando
As máscaras caindo
O baile acabando.
Tudo se perdendo.
Falta cor, falta verdade
O que não falta, é vaidade.

Legal mesmo é ver sorrisos postiços por todos os lados
Serpentinas espalhadas no salão.
Aquela festa toda, cheia de felicidades de verão.

A música parou.
O confete, desanimou.
As luzes não encantam mais.
Rostos cansados começam a se espalhar por todas as partes.
Semblantes desolados.
As mesmas pessoas, cheias de problemas e rotinas banais.
Todos na mesma nota, em tons de domingo.
Já nem sei se é mesmo tão legal assim toda essa festa.

Marcos Felipe



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Devaneio lúdico de um cata-vento


Frio na barriga.
Estranha sensação que me dá quando sinto que o mundo está prestes a girar.
Pra todo o mundo, o mundo gira, dá voltas.
Mas quando é comigo, meu amigo.. 
Fico tonto, perco o ar.
Me some o chão.
Encontro alguns minutos depois, e lembro que é chegada a hora de soltar.
Saltar.
Aperto no peito.
Dois dedos de cachaça pra esquentar.
Dois terços além da conta.
Acho que vou ter de pendurar.
Pendurar sapatos pelo asfalto.
Perdurar sorrisos lá do alto.
Lá, de onde eu não consigo voltar.
Ainda nem fui, na verdade.

Não foi.
Continua aqui, à me acompanhar.
Sabe que é bem vinda.
Talvez por isso, insiste tanto em me alugar.
Pois aqui, sempre estará em casa.
Já nem me preocupo mais em fazer sala.
Chega sempre do mesmo jeito
Fulminante, algoz.
Serena de vez em quando.
Chega e fica.
Até o sol sair pra trabalhar.
E então os sinos param de soar
O barulho do mundo, que outrora era de se admirar, começa a chacoalhar notas dissonantes por todo o meu corpo.
Mais dois dedos.
Dessa vez, um de café e outro pro coletivo que acabou de apontar lá na dobra da avenida.
Foi embora, assim despercebida.
Foi sem despedida.
Foi, mas logo bate aqui na porta.

Até que enfim, cheguei no meu lugar.
Dois dedos de alguma coisa pro estômago não reclamar.
Suspiros, olhos cansados, fixos no teto sujo de tinta azul.
Despertador atento.
Nada mais além do silêncio.
Somente eu e meu corpo exausto prestes a se desligar.

Marcos Felipe. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Utopia social


O tempo passa e não apaga as coisas que você fez
Não muda quem você foi.
Hoje conheço tantas pessoas que cultivam um moralismo ridículo e desnecessário
Se esquecendo de quem elas já foram.. 
Gente pequena, com tão pouco a oferecer..
Adornam uma reputação mentirosa e cínica
Fingindo um ser pra todo mundo
Fingindo ser.


Marcos Felipe

quarta-feira, 3 de abril de 2013



Penso que seria divertido mudar a cor das paredes do meu quarto.
Talvez trocar alguma história de lugar.
Sabe, cansei dessas paredes azuis.
Sempre com o mesmo tom, de nada acontece.
Pensei em rabiscar algumas coisas
Recortar, colar.
Pendurar alguns sorrisos.
Pois bem, chegou a hora.
Chegou na hora.


Marcos Felipe