Meus sonhos verdes

Arrisco-me a escrever aqui tudo que penso,sinto,creio e quero.

Tudo que sou eu.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Insólito

Água gelada pra curar ressaca já não é suficiente.
Ultimamente tudo tem sido um enorme balde de água fria.
Ate mesmo essa ressaca contínua.

Hora de ir embora.

Voltar pra casa e esquecer essa idéia maluca de que satisfações efêmeras vão me manter de pé.
Curar feridas.

Não sinto alívio por entender a condição.

Também não lamento o fardo que me abraça.
Maldita balança.
Malditos prós.
Benditos contras.

Desgaste psicológico e preguiça social.

Vitamina de inutilidades sufocantes.
Terapêuticas.

Banalidades e clichês em evidência.

Nada disso faz sentido.

Sentir..

Palavra difícil.
Verbo? 
Não me lembro..

Talvez alguém deva se lembrar

Talvez alguma coisa há de mudar
Sempre talvez.
Sempre esperando a minha vez.

Não tem mais graça

Não muda nada
Martírios, martírios 
E nada..

Sorrisos, sorrisos

E um pouco mais de nada.

Passa o tempo

Volto a fita
Reviso os valores
Mudo as coisas de lugar
E adivinha o que acontece ?
Nada.

Um vazio infinito.

Cheio de nada.
Entupido.

Ironia é se perder dentro do seu próprio abrigo.

Triste é procurar partilhar verdade aonde só querem dividir mentiras.

Fadiga.



Marcos Felipe


sábado, 21 de junho de 2014

Nublado


O céu mudou de cor.
O vento até correu.
O Sapato furado, é o primeiro a reclamar.

Então deixa..
Deixa cair o céu.

Sinta o balde de água fria congelar seus medos.
Respire o que sobrar de ar enquanto pode.
E se não sabe nadar, deixa de lado tudo que te prende no mesmo lugar.
Perca os sapatos, machuque seus pés
mas nunca deixe de buscar algum motivo que te leve sempre em frente.

Ou então abrace a chuva e dance com ela ao som do marasmo que te afoga.

Marcos Felipe

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Catálise


Dois dedos de café.
Forte, com um pouco de açúcar.
Quente, eficaz.
Senta, olha pro chão.
Pede um cigarro picado no balcão do bar.
Dois tragos pra aceitar a condição.

Transborda...

A tarde, a cabeça e o cinzeiro cheio de vírgulas mal resolvidas.
Mais uma dose.
De lucidez,  pra variar.
Não quer esquecer o que se empenha tanto em evitar.
Não dessa vez.

Aguarda...

Recupera o fôlego.
O norte, tantas vezes camarada, desistiu de apontar sempre a mesma direção.
Mas não tem pressa não
Tempestade em copo d'água não mata a sede.

Levanta a cabeça
Sorrindo, aperta o passo.
Não liga mais pras pedras no sapato.
Cansou de esperar por noticias daquele abraço apertado que não volta pro lugar.
Deixou na mesa as chaves de casa, o passado e a conta à pendurar.

Entendeu.
Foi buscar.


Marcos Felipe

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Pra me situar


Não sabe mais o que te faz feliz
Não sente mais o que nos faz seguir.
Não volto mais pra te salvar de ti.
Já não sei mais o que tirou de mim.
Se está em paz, é hora de partir.

Leve embora os abraços
Jogue fora aquelas tardes
Sinta amargar todas as palavras que perdemos no tempo.
Conte pro vento sobre tudo que não somos.

Decidi ficar
Sorrir
Ver o céu cair
Sem pressa
Sem pressa.

Marcos Felipe.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Talvez, você.

Mentiras se repetindo até virarem verdade.
Lucidez embriagada, faz teu mundo perder brilho.
Mas afinal, me diz qual a graça de viver assim?
Sempre entorpecida, afogada nas próprias tramas dessa sua estranha maneira de curar feridas.
Fecha os olhos, se esconde e corre do sol, mas chora, lamentando-se com a lua dos dias cinzas que não vão embora.
Derrama sobre a mesa, litros e mais litros de hipocrisia.
Omite à você mesma os próprios sorrisos, a calmaria.
Mas não te importa, se é sempre tudo uma grande mentira.
Outro dia vai passar, outras horas vão chegar
e cá pra nós, você não tem motivos pra mudar.
Afinal, se nada disso te faz pensar, pra que abrir os olhos?
Que diferença vai fazer ?
A verdade é aquilo que você não se preocupa em entender.
Mas quem se importa ?
Eu? Você?
Vai saber...

Marcos Felipe

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sobre o quarto, 505.

"Mas eu sei,  ainda há luz
onde a sombra se alojou.
Vagalumes escondidos brilham em segredo.
Teus costumes bêbados, são apenas anseios apontados
num espelho de banheiro."

Marcos Felipe.

domingo, 3 de novembro de 2013

Sobre algumas horas mortas


Sete e cinquenta e três.
O silêncio da madrugada que já fora amigo, se foi.
O mundo volta à sua rotina.
Domingo, tudo parece estar em seu devido lugar.
Mais um dia como outro qualquer.
Bom dia camarada!
Bom te ver!
Por onde esteve ?
Ontem pensei que fosse hoje.
E hoje, quando será ?
Não sei.
Talvez nem deva saber.
Tanto faz.
Certeza tenho de que andaste por onde deveria estar.
E sei que vai continuar a ser assim.
Não se prende luz em caixa parda.
Não se prende sol em chuva branda.
Deixa brilhar.
Deixe entrar.
Abra a janela, tome um café e sente-se.
Sinta-se.
Sabemos que o tempo haverá de passar
Levará de nós tudo que ainda não temos
Então deixe ofuscar o que não cabe aos olhos.
Sinta queimar.




Marcos Felipe